Última actualização: 31-01-2007

 

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O Seminário Aberto de Filosofia da SPF foi concebido tendo em vista, não só professores e estudantes de Filosofia, mas todas aquelas pessoas que, não tendo qualquer formação filosófica, mantêm um certo interesse ou curiosidade pela abordagem filosófica dos muitos problemas, desafios e paradoxos com que nos defrontamos na vida.

Cada sessão aborda um tema diferente, seleccionado pela SPF ou sugerido pelos interessados, sendo apresentado numa linguagem completamente acessível e sem pressupor qualquer conhecimento filosófico prévio no público. As sessões terão duas partes: uma parte expositiva em que o orador convidado explicará o alcance do problema a tratar e apresentará algumas teorias filosóficas e argumentos clássicos acerca do problema tratado; uma parte de debate em que serão esclarecidas dúvidas e discutidas as questões em jogo nessa sessão. Aos participantes pede-se unicamente atenção e abertura de espírito para as ideias que vão ser apresentadas e discutidas.

O Seminário Aberto de Filosofia, sendo especialmente dirigido ao leigo insatisfeito com as respostas por vezes superficiais e apressadas de muito senso comum, visa proporcionar informação filosófica fundamental para pensar com rigor sobre problemas como:

·          O aborto, a eutanásia, a clonagem

·          O sentido da vida

·          O consumo da pornografia

·          A privação da liberdade como castigo

·          A existência de Deus e o mal no mundo

·          Os fundamentos do conhecimento

·          Os direitos dos animais

·          A justificação da democracia

·          A natureza e o papel da arte

·          Comportamentos irracionais

·          Tolerância e intolerância

·          Liberdade e responsabilidade

·          As desigualdades

·          Argumentos correctos e falaciosos

·          etc.

As sessões decorrerão no auditório da SPF, situado na Avenida da República, n.º37 – 4.º andar, em Lisboa.

 

A entrada é livre, mas a inscrição é obrigatória. Faça a sua inscrição

·         por SMS, escrevendo SAF + O seu nome + Número da sessão e enviando o SMS para 96 635 37 53

·         por e-mail, escrevendo na mensagem SAF + O seu nome + Número da sessão e enviando para spfil@spfil.pt

 

 

13.ª sessão – 2 de Fevereiro de 2007 – 15 horas

Aborto, Valor e Identidade Pessoal

Pedro Galvão

(Universidade de Lisboa)

 

Resumo:

O argumento do «futuro-como-o-nosso», proposto por Donald Marquis, será clarificado e comparado com um argumento alternativo, muito mais comum, contra o aborto, que apela à humanidade do feto. De seguida, serão discutidas várias objecções a este argumento. Mostrar-se-á que muitas delas são infundadas, mas que a credibilidade do argumento depende da resposta correcta ao problema metafísico da identidade pessoal.

O plano de sessões de 2007

será anunciado em breve.

 

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11.ª sessão – 11 de Maio de 2006

Ciência e pseudo-ciência no pensamento construtivista em educação

Nuno Crato

(Instituto Superior de Economia e Gestão)

 

Resumo:

Não há um construtivismo em educação, mas sim vários. Além do construtivismo pedagógico inspirado em Piaget e Vigotski, há correntes que perfilham um construtivismo dogmático e outras que o prolongam num construtivismo epistemológico e ontológico.

No pensamento educativo dominante em Portugal pontua uma mescla construtivista dogmática que se baseia numa série de crenças anticientíficas. O debate filosófico é importante para pôr a nu esses fundamentos inconfessos. O debate científico é essencial para contrastar os ensinamentos da moderna psicopedagogia de base científica com os pressupostos da ideologia educativa dominante.

 

 

12.ª sessão – 21 de Setembro de 2006

Lógica das Emoções

Dina Mendonça

(Universidade Nova de Lisboa)

 

Resumo:

A proposta duma lógica das emoções aparece pela primeira vez no debate filosófico contemporâneo na obra de Robert Solomon, The Passions. Emotions and the Meaning of Life, publicada em 1976. No entanto foi preciso uma década de contínuo debate para aceitar com seriedade uma perspectiva cognitiva das emoções. A comunicação começa por mostrar as linhas gerais dessa perspectiva cognitivista com os seus devidos problemas e virtudes. Os problemas da visão cognitivista das emoções levarão a mostrar as virtudes da perspectiva não cognitivista. Por fim, irei apresentar um resumo de uma nova proposta não cognitivista das emoções proposta por Jesse Prinz, em 2004, no seu livro Gut Reactions que ambiciona ultrapassar o impasse entre teorias cognitivas e não cognitivas sobre as emoções. Terminarei a comunicação com um resumo das principais questões da filosofia das emoções.

 

9.ª sessão – 19 de Janeiro de 2006

Aristóteles

- uma introdução

Maria José Figueiredo

(Universidade de Lisboa)

 

Resumo:

A teoria aristotélica da causalidade tem reflexos em praticamente todos os domínios do pensamento aristotélico, da ontologia à teoria do conhecimento, da ética à teoria da acção. Nesta sessão, procurarei apresentar uma visão panorâmica da filosofia de Aristóteles a partir da noção de causa(s).

 

 

10.ª sessão – 9 de Março de 2006

Tópicos de

Filosofia da Música

António Jesus Lopes

(Universidade de Lisboa)

 

Resumo:

Nas últimas duas décadas, a reflexão sobre a arte dos sons tem assumido uma importância cada vez maior na filosofia da arte, por oposição à relativa negligência a que havia sido submetida na tradição analítica. Nesta comunicação, pretendo mostrar como muitos dos problemas clássicos da filosofia da arte, e mesmo da metafísica, podem ser equacionados em função da música da tradição clássica ocidental. O que esta arte contribui para o enriquecimento da discussão desses problemas (e que partilha até certo ponto com o teatro) prende-se com o facto de só podermos ter um acesso sensorial à música quando uma obra (partitura) é executada ou interpretada. Esta dualidade permite debater questões que vão desde a ontologia – que tipo de entidade é afinal uma obra musical: é algo concreto ou abstracto – à interpretação da arte – intencionalismo e anti-intencionalismo: quem tem precedência sobre o modo como se deve executar uma obra, o compositor ou o intérprete – passando por uma questão que será objecto de análise mais aprofundada, a da autenticidade na execução musical, que toca problemáticas da filosofia e sociologia da arte como o problema da ética da restauração ou alteração de obras de autores já falecidos.

 

 

7.ª sessão – 10 de Novembro de 2005

Filosofia Viva

Filosofia para Crianças em Perspectiva

Zaza Carneiro Moura

(Directora do CPFC-SPF)

 

Resumo:

Como estamos nós - pais, educadores, professores, poder político - a preparar o cidadão do futuro, que é já o presente? Somos uma democracia há pouco mais de três décadas, mas seremos uma sociedade plenamente democrática? Como enfrentar os desafios de um mundo conturbado, cada vez mais globalizado, em acelerada transformação?  Se aceitarmos que no cerne de toda a transformação social está a educação, é natural que estas perguntas exijam de nós reflexão e acção ponderada – eticamente ponderada. Entramos assim no domínio da filosofia viva - a Filosofia para Crianças, um reconhecido “poderoso instrumento pedagógico”. E não só. O seu valor instrumental no desenvolvimento do pensamento – do aprender a pensar bem e por si mesmo - alarga-se à esfera da consciência de si num diálogo significativo e transformador com os outros – numa “comunidade de investigação” - em que a filosofia é a matriz principal. Afirmações que nos remetem para interrogações prévias a essa discussão - “O que é? Para quem? Como? Quem educa o educador? O que é a comunidade de investigação?

 

 

8.ª sessão – 12 de Janeiro de 2006

Endireitando o ciclo: a zoogonia de Empédocles

José Trindade Santos

(Universidade de Lisboa)

 

Resumo:

Nos seus poemas Da natureza e Purificações, Empédocles apresenta uma cosmologia, que tem sido, já desde o tempo de Aristóteles, objecto de sucessivas re-interpretações. No que diz respeito ao Ciclo, competem hoje duas leituras dos fragmentos. Uma (E. Zeller, J. Burnet, E. Bignone, Kirk & Raven et al) defende a alternância cíclica entre dois pólos, designados como “triunfo do Amor” e “triunfo do Ódio”. No primeiro, o todo assume a forma de uma Esfera, constituída pela mistura dos quatro elementos. No segundo, os elementos separam-se formando uma esfera, na qual se dispõem em camadas concêntricas.

A outra leitura quebra a isocronia da alternância entre os períodos acima referidos, anulando a “total separação” (F. Solmsen, U. Hölscher, J. Bollack, O Primavesi), ou tornando-a instantânea (D. O’Brien).

A discórdia é alimentada pela controvérsia sobre duas questões. A primeira é a da zoogonia. Para a leitura alternante, o ciclo produz duas zoogonias opostas e simétricas, nas quais, sob o Amor, os seres vivos gradualmente se formam, por tentativa e erro, até atingirem o estado actual, depois, sob o Ódio, se separam nos elementos que os constituem. A outra leitura argumenta contra o absurdo de duas zoogonias (C. Santaniello), não se comprometendo com  apresentação de uma nova proposta (M. Schofield, in K&R2).

A segunda questão é a da transmigração das almas, na relação do Da natureza com as Purificações. Por evidente que pareça a todos os intérpretes, nas Purificações, ninguém conseguiu até agora fundamentá-la no outro poema.

Tentarei aqui sintetizar estas questões, propondo uma leitura que leve em conta os novos dados do problema, trazidos à luz pela edição do “Papiro de Estrasbrurgo” (H. Martin, O. Primavesi, 1999).

 

 

5.ª sessão – 20 de Maio de 2005

O Sentido da Vida

Desidério Murcho

(King’s College London)

 

Resumo:

Muitas pessoas que desconhecem a filosofia pensam que descobrir o sentido da vida é a tarefa fundamental, senão a única, da filosofia. Contudo, isto é um exagero dramático, semelhante ao erro de pensar que a filosofia tem por objecto de estudo unicamente «os valores». A filosofia tem uma enorme amplitude e qualquer visão redutora deste género falseia a sua natureza.

Quem está a par da discussão filosófica contemporânea, e dos grandes clássicos da filosofia, sabe que o problema do sentido da vida não tem sido uma preocupação central dos filósofos. Contudo, nos últimos anos este problema tem recebido cada vez mais atenção por parte de filósofos tão importantes como Thomas Nagel, Robert Nozick, David Wiggins e Peter Singer, entre muitos outros. Nesta comunicação apresenta-se uma perspectiva objectivista, naturalista e optimista do sentido da vida. Objectivista, porque se defende que o sentido da vida não é independente da realidade. Naturalista porque se defende uma posição não religiosa. E optimista porque se defende que é possível viver uma vida com sentido.

 

 

6.ª sessão – 27 de Outubro de 2005

O Valor da Arte

Aires Almeida

(E. S. Manuel Teixeira Gomes, Portimão)

 

Resumo:

Que a arte tem valor é uma questão empírica que ninguém disputa. O problema do valor da arte coloca-se apenas quando se procura explicar que valor é esse.

Há dois tipos de teorias filosóficas acerca do valor da arte: as teorias do valor intrínseco e as teorias instrumentalistas.

Na primeira parte da exposição apresentarei os principais argumentos formalistas a favor do valor instrínseco da arte, bem como as principais teorias e argumentos instrumentalistas, nomeadamente os argumentos hedonistas e os argumentos instrumentalistas de Monroe Beardsley. Tentarei mostrar que essas teorias e argumentos não respondem satisfatoriamente ao problema do valor da arte.

Na segunda parte defenderei uma versão alternativa de instrumentalismo, o cognitivismo. Trata-se da perspectiva segundo a qual a arte tem valor porque nos proporciona conhecimento.

 

 

3.ª sessão – 14 de Março de 2005

O Terceiro Milénio

Clara Pinto Correia

(Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias)

 

Resumo:

Então, o que há de diferente no princípio do milénio?

Decerto este pormenor é algo de diferente. Nos nossos dias, nenhuma área de actividade e das nossas percepções da vida quotidiana pode ser considerada completamente isolada da influência da ciência.

Quer queiramos quer não, é um facto que vivemos num mundo formado por desenvolvimentos científicos e tecnológicos. Este mundo não se limita a facilitar a vida ou a alargar a esperança de vida de toda a gente. Pelo contrário, este é um mundo que exige de todos nós, os seus criadores e utentes, uma enorme responsabilidade relativamente ao estabelecimento de leis comportamentais que quereremos impor‑nos a nós próprios, agora que as velhas «leis naturais» implodiram em tantas frentes que já não são suficientes, por si próprias, para regular os tipos de indivíduos que somos, ou delinear o tipo de sociedade a que pertencemos.

É óbvio que esta responsabilidade não deve ser assumida sem informarmos adequadamente o público em geral do que está a acontecer no domínio científico e das implicações desses acontecimentos no funcionamento do enquadramento social.

 

 

4.ª sessão – 18 de Abril de 2005

Tolerância e Liberalismo

Pedro Madeira

(King’s College London)

 

Resumo:

O que é ser tolerante? O que é ter uma atitude verdadeiramente tolerante para com alguém, ou para com um grupo de pessoas? Este será o tema principal desta sessão. Olhar-se-á para algumas ideias comuns sobre tolerância. Argumentar-se-á que ser tolerante não é mostrar indiferença; não é (apenas) ser compreensivo; e não implica apoiar qualquer forma de relativismo. Pelo caminho, falar-se-á da relação entre tolerância e diferentes tipos de liberalismo – desde o libertarianismo de Robert Nozick (que defende que as funções do estado devem ser reduzidas ao mínimo), até ao liberalismo perfeccionista de Joseph Raz (que defende que o estado deve favorecer uma certa concepção do bem).

 

1.ª sessão – 10 de Janeiro de 2005

A Ética do Aborto

Pedro Galvão

(Universidade de Lisboa)

 

Resumo:

Esta sessão consistirá numa apresentação e discussão de cinco argumentos centrais no debate filosófico acerca da moralidade do aborto. O primeiro argumento a analisar exprime a perspectiva pró-vida comum, caracterizada pela condenação do aborto a partir da doutrina da santidade da vida humana. O segundo argumento, avançado na sua versão mais influente por Michael Tooley, tenta justificar a perspectiva pró-escolha mostrando que os fetos humanos, por oposição ao seres humanos conscientes de si, não possuem o direito à vida. O terceiro argumento, que é compatível com a hipótese de os fetos possuírem o direito à vida, é o da defesa «feminista» do aborto proposta por Judith Thomson. Na primeira parte da sessão, tentarei deixar claro que nenhum destes argumentos é satisfatório. Na segunda parte da sessão, discutirei dois argumentos pró-vida que me parecem ter resistido às tentativas de refutação. Um deles é o «argumento kantiano» contra o aborto, avançado por Harry Gensler, que consiste fundamentalmente num apelo à coerência moral. O outro argumento, concebido por Don Marquis, visa estabelecer que, quando percebemos por que razão é errado matar um de nós, temos de inferir que é também errado matar fetos humanos.

 

 

2.ª sessão – 14 de Fevereiro de 2005

A Análise Tripartida do Conhecimento

Adriana Silva Graça

(Universidade de Lisboa)

 

Resumo:

Nesta comunicação será apresentada a análise tripartida do conhecimento proposicional, a qual foi adoptada por diferentes filósofos ao longo da História da Filosofia, desde Platão. De seguida, será discutido o tipo de contra-exemplo a essa análise identificado por E. Gettier, em meados do século XX. Terminar-se-á com a identificação de algumas saídas possíveis para o problema com o qual Gettier nos deixa.

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