![]() |
|
|
N.º 4 — 2004 |
|
|
Sobre o Sentimento Moral David Hume
Apêndice I de Uma Investigação sobre os Princípios da Moral, 1751
1.
Se a hipótese precedente for aceite, será fácil resolvermos agora a
questão de que partimos,[1]
que diz respeito aos princípios gerais da moral. E embora tenhamos adiado
a solução desta questão para não nos envolvermos em especulações
intrincadas que são impróprias para discursos morais, podemos retomá-la
agora e determinar até que ponto a razão ou o sentimento
participam em todas as decisões de louvor ou censura. 2.
Como se supõe que um dos principais alicerces do louvor moral reside na
utilidade de qualquer qualidade ou acção, é evidente que a razão
tem de contribuir com uma participação considerável em todas as decisões
deste género, pois só esta faculdade pode informar-nos das tendências
das qualidades e acções, e indicar-nos as suas consequências benéficas
para a sociedade e para o agente. Em muitos casos, este assunto admite uma
grande controvérsia: podem surgir dúvidas, podem existir interesses
opostos e, a partir de ideias muito minuciosas e de uma pequena preponderância
de utilidade, temos de ter preferência por uma das partes. Como é
natural supor a partir dessa espécie de utilidade que acompanha a justiça,
isto é particularmente notável nas questões relativas a esta virtude.[2]
Se todos os casos de justiça fossem, tal como os de benevolência, úteis
à sociedade, a situação seria mais simples e raramente propensa a
grandes controvérsias. Mas como os casos de justiça são frequentemente
perniciosos na sua primeira e imediata tendência, e como os benefícios
para a sociedade só resultam da observância da regra geral e da convergência
e reunião de várias pessoas na mesma conduta equitativa, a situação
torna-se aqui mais intrincada e confusa. As várias condições da
sociedade, as várias consequências de qualquer prática, os vários
interesses que podem ser propostos: em muitas ocasiões, estas coisas são
duvidosas e estão sujeitas a grande discussão e investigação. O
objectivo das leis de um Estado é fixar todas as questões relativas à
justiça. Os debates dos civis, as reflexões dos políticos e os
precedentes da história e os registos públicos dirigem-se ao mesmo propósito.
E uma razão ou capacidade de julgar muito rigorosa é
frequentemente necessária para se chegar à resolução acertada pelo
meio de dúvidas intrincadas que resultam de utilidades obscuras ou
opostas. 3.
Mas embora a razão, quando é perfeitamente auxiliada e aperfeiçoada,
seja suficiente para nos informar das tendências perniciosas ou úteis
das qualidades e acções, por si não é suficiente para produzir
qualquer censura ou aprovação moral. A utilidade é apenas uma tendência
para um certo fim, e, se o fim nos fosse totalmente indiferente, sentiríamos
a mesma indiferença em relação aos meios. Para que as tendências úteis
sejam preferidas às perniciosas, é preciso que um sentimento se
revele aqui. Este sentimento tem de ser uma satisfação com a felicidade
da humanidade e uma indignação com a sua miséria, pois estes são os
diferentes fins que a virtude e o vício tendem a promover. Logo, aqui a razão
informa-nos das várias tendências das acções, e a humanidade
discrimina favoravelmente aquelas que são úteis e benéficas. 4.
A hipótese precedente parece tornar clara esta divisão, em todas as
decisões morais, entre as faculdades do entendimento e do sentimento. Mas
irei supor que esta hipótese é falsa: será então necessário procurar
outra teoria que possa ser satisfatória. Atrevo-me a afirmar que nunca
encontraremos nenhuma teoria enquanto supusermos que a razão é a única
fonte da moral. Para provar isto, será apropriado avaliar as cinco
considerações que se seguem. 5.
I. É fácil uma hipótese falsa preservar alguma aparência de
verdade enquanto ficar inteiramente por generalidades, fizer uso de termos
vagos e empregar comparações em vez de exemplos. Isto é particularmente
notável nessa filosofia que atribui o discernimento de todas as distinções
morais unicamente à razão, excluindo a cooperação do sentimento. É
impossível que, em qualquer caso particular, esta hipótese possa sequer
tornar-se inteligível, seja qual for a figura enganadora que assuma em
declamações e discursos gerais. Examine-se, por exemplo, o crime da ingratidão,
que ocorre sempre observarmos, numa das partes, uma boa vontade, expressa
e reconhecida, a par da prestação de bons ofícios, e, na outra parte,
uma retribuição de má vontade ou indiferença, acompanhada por maus ofícios
ou desdém. Anatomizai todas estas circunstâncias e examinai, unicamente
através da vossa razão, em que consiste o demérito ou censura: nunca
chegareis a qualquer solução ou conclusão. 6.
A razão julga questões de facto ou relações. Assim,
investigai, em primeiro lugar, onde está essa questão de facto
que aqui designámos por crime: indicai-a, determinai a duração
da sua existência, descrevei a sua essência ou natureza, explicai o
sentido ou faculdade ao qual esta se revela. O crime reside na mente da
pessoa que é ingrata. Por isso, ela tem de o sentir e estar consciente
dele. Mas nada existe aí, excepto a paixão da má vontade ou da absoluta
indiferença. Não podeis dizer que estas, em si mesmas e em todas as
circunstâncias, são sempre crimes. Não, só são crimes quando se
dirigem a pessoas que antes expressaram e revelaram boa vontade para
connosco. Consequentemente, podemos inferir que o crime da ingratidão não
é qualquer facto particular individual; este surge de circunstâncias
complexas que, ao serem apresentadas ao espectador, excitam um sentimento
de censura que resulta da estrutura e fábrica particulares da sua mente. 7.
Esta representação, dizeis, é falsa. Realmente, o crime não consiste
num facto particular cuja realidade nos é assegurada pela razão,
mas consiste em certas relações morais descobertas pela razão da
mesma maneira que descobrimos, através da razão, as verdades da
geometria ou da álgebra. Mas, pergunto, quais são as relações de que
falais aqui? No caso acima apresentado, vi primeiro boa vontade e bons ofícios
numa pessoa; depois vi má vontade e maus ofícios na outra. Entre estes,
há uma relação de contrariedade. Será que o crime consiste
nesta relação? No entanto, suponhamos que uma pessoa revela má vontade
para comigo ou que me presta maus ofícios e que, em troca, eu fico
indiferente para com ela ou presto-lhe bons ofícios: existe aqui a mesma
relação de contrariedade, mas a minha conduta é frequentemente
muitíssimo louvável. Virai e revirai a questão tanto quanto quiserdes:
nunca conseguireis basear a moralidade numa relação; tendes de recorrer
às decisões do sentimento. 8.
Quando se afirma que dois mais três é igual à metade de dez,
compreendo perfeitamente esta relação de igualdade. Entendo que, caso se
divida dez em duas partes com o mesmo número de unidades, e caso se
compare uma dessas partes com dois adicionado a três, esta conterá
tantas unidades como o número composto. Mas quando fazeis a partir daqui
uma comparação com as relações morais, reconheço que fico
completamente perdido a tentar entender-vos. Uma acção moral, um crime
como a ingratidão, é um objecto complicado. Será que a moralidade
consiste na relação que as suas partes mantêm entre si? Como? De que
maneira? Especificai a relação: tornai as vossas proposições mais
específicas e explícitas e vereis facilmente a sua falsidade. 9.
Não, dizeis, a moralidade consiste na relação entre as acções e a
regra moral, e as primeiras são denominadas boas ou más em virtude de
estarem em acordo ou desacordo com a segunda. O que é então esta regra
moral? Em que consiste? Como é estabelecida? Pela razão, dizeis, que
examina as relações morais das acções. Deste modo, as relações
morais são estabelecidas através da comparação das acções com uma
regra. E estabelece-se essa regra considerando as relações morais dos
objectos. Não é este um bom raciocínio? 10.
Tudo isto é metafísica, protestais. Basta, então — não é preciso
mais nada para termos uma forte suspeita de falsidade. Sim, respondo,
seguramente há aqui metafísica, mas ela vem toda de vós, que avançais
uma hipótese abstrusa que nunca se pode tornar inteligível nem quadrar
com qualquer caso ou exemplo particular. A hipótese que aceitamos é
clara: sustenta que a moralidade é determinada pelo sentimento; define a
virtude como toda a acção ou qualidade mental que proporciona ao
espectador o sentimento aprazível de aprovação e define o vício
como o contrário disto. Avançamos depois para o exame de uma clara questão
de facto: determinar que acções têm esta influência. Consideramos
todos os aspectos que estas acções têm em comum, e esforçamo-nos
depois por extrair algumas observações gerais sobre estes sentimentos.
Se chamais metafísica a isto, e encontrais aqui alguma coisa abstrusa, só
precisais de concluir que o vosso modo de pensar não é apropriado para
as ciências morais. 11.
II. Quando, em qualquer ocasião, um homem delibera sobre a sua
conduta (como quando pensa, numa emergência particular, se será melhor
ajudar um irmão ou um benfeitor), ele tem de considerar todas essas relações
distintas, que envolvem todas as circunstâncias e situações das
pessoas, de modo a determinar o dever e a obrigação superiores. E para
determinar a proporção das linhas em qualquer triângulo, é necessário
examinar a natureza dessa figura e as relações que as suas diversas
partes mantêm entre si. Mas, apesar desta aparente semelhança entre os
dois casos, existe no fundo uma diferença extrema entre eles. Um pensador
especulativo que se ocupa de triângulos e círculos considera as diversas
relações conhecidas e estabelecidas que dizem respeito às partes destas
figuras, e infere uma relação desconhecida que depende das primeiras. No
entanto, nas deliberações morais à partida temos de estar
familiarizados com todos os objectos e todas as relações que estes mantêm
entre si, e fixar a nossa escolha ou aprovação a partir da avaliação
do todo. Não há qualquer facto novo a indicar, não há qualquer relação
nova a descobrir. É suposto que todas as circunstâncias do caso estejam
dispostas diante de nós antes de podermos fixar qualquer sentença de
censura ou aprovação. Se qualquer circunstância importante ainda for
desconhecida ou duvidosa, teremos de recorrer primeiro à investigação
ou às nossas faculdades intelectuais para a esclarecer, e de suspender
por algum tempo toda a decisão ou sentimento moral. Enquanto não sabemos
se um homem foi ou não um agressor, como podemos determinar se a pessoa
que o matou é criminosa ou inocente?
No entanto, depois de se conhecerem todas as circunstâncias e relações,
o entendimento deixa de ter qualquer papel a desempenhar e qualquer
objecto de que se possa ocupar. A aprovação ou censura que se segue não
pode resultar do trabalho da capacidade de julgar, tem de resultar do coração,
e não é uma proposição ou afirmação especulativa, mas uma sensação
ou sentimento activo. Nas investigações do entendimento, inferimos
circunstâncias e relações novas e desconhecidas a partir das
conhecidas. Nas decisões morais, todas as circunstâncias e relações têm
de ser previamente conhecidas, e a partir da contemplação do todo a
mente sente uma nova impressão de afeição ou aversão, estima ou
desprezo, aprovação ou censura. 12.
Disto resulta a grande diferença entre erros factuais e erros morais,
e consequentemente a razão pela qual os segundos, mas não os primeiros,
geralmente são criminosos. Quando Édipo matou Laio, ignorava a sua relação
com ele e, a partir das circunstâncias, formou inocente e
involuntariamente uma opinião errada sobre a acção que realizou. Mas
Nero, quando matou Agripina, conhecia previamente todas as relações que
tinha com ela e todas as circunstâncias do facto, só que o motivo da
vingança, do medo ou do interesse prevaleceu sobre os sentimentos do
dever e da humanidade no seu coração selvagem. E quando exprimimos essa
repulsa relativamente a ele — à qual ele próprio depressa se tornou
insensível — não o fazemos por ver quaisquer relações que ele
ignorava, mas porque, em virtude da rectidão da nossa disposição,
experimentamos sentimentos a que ele se tornou imune devido à adulação
e à prática constante dos crimes mais graves. Assim, todas as determinações
morais consistem nestes sentimentos, e não na descoberta de relações de
qualquer género. Antes de podermos pretender formar qualquer decisão
deste género, tudo tem de ser conhecido e averiguado a respeito do
objecto. Da nossa parte, resta-nos apenas experimentar um sentimento de
censura ou aprovação, a partir do qual declaramos que uma acção é
criminosa ou virtuosa. 13.
III. Esta doutrina tornar-se-á ainda mais evidente se compararmos
a beleza moral com a natural, à qual esta se assemelha fortemente em
muitos aspectos. É da proporção, relação e posição das partes que
toda a beleza natural depende, mas seria absurdo inferir que a percepção
da beleza, tal como a percepção da verdade nos problemas geométricos,
consiste exclusivamente na percepção das relações e realiza-se
inteiramente através do entendimento ou das faculdades intelectuais. Em
todas as ciências, a nossa mente investiga as relações desconhecidas
partindo das conhecidas, mas, em todas as decisões de gosto ou beleza
exterior, todas as relações são imediatamente óbvias aos nossos olhos,
e delas provém um sentimento de satisfação ou aversão que está em
conformidade com a natureza do objecto e a disposição dos nossos órgãos.
14.
Euclides explicou completamente todas as qualidades do círculo, mas em
nenhuma proposição disse uma palavra sobre a sua beleza. A razão é
evidente: a beleza não é uma qualidade do círculo, não reside em
nenhuma parte da linha, cujas partes estão igualmente distantes de um
centro comum; é apenas o efeito que essa figura produz na mente, que é
susceptível de tais sentimentos em virtude da sua fábrica ou estrutura
peculiares. Em vão a procuraríeis no círculo ou, através dos sentidos
ou de raciocínios matemáticos, em todas as propriedades dessa figura. 15.
Prestai atenção a Palladio e Perrault enquanto eles explicam todas as
partes e proporções de uma coluna: eles falam da cornija, do friso, da
base, do entablamento, do fuste e da arquitrave, e apresentam a descrição
e posição de cada um destes membros. No entanto, se lhes pedísseis a
descrição e posição da sua beleza, eles responderiam que a beleza não
está em qualquer parte ou membro de uma coluna, e que esta resulta do
todo quando essa complicada figura é apresentada a uma mente inteligente,
susceptível dessas sensações mais refinadas. Até esse espectador
aparecer, há apenas uma figura com certas dimensões e proporções: a
sua elegância e beleza surge apenas dos seus sentimentos. 16.
Prestai agora atenção a Cícero enquanto ele retrata os crimes de um
Verres ou de um Catilina. Tereis de reconhecer que, analogamente, a
torpeza moral resulta da contemplação do todo quando este é apresentado
a um ser cujos órgãos têm uma certa estrutura e formação. O orador
pode pintar raiva, insolência e barbaridade numa das partes; doçura,
sofrimento, dor e inocência na outra parte. No entanto, se não sentis
emergir em vós qualquer indignação ou compaixão perante esta complicação
de circunstâncias, em vão perguntareis em que consiste o crime ou vileza
contra o qual ele se insurge tão veementemente. Em que momento ou sujeito
começou a existir? O que lhe aconteceu alguns meses depois, quando toda
disposição e pensamento de todos os intervenientes foi totalmente
alterada ou aniquilada? Sob a hipótese abstracta da moral, não se pode
dar qualquer resposta satisfatória para estas questões, e por fim temos
de reconhecer que o crime ou imoralidade não é um facto ou relação
particular que possa ser objecto do nosso entendimento: resulta
inteiramente do sentimento de reprovação que, em virtude da estrutura da
natureza humana, experimentamos inevitavelmente na apreensão da barbárie
ou da perfídia. 17.
IV. Os objectos inanimados podem manter entre si as relações que
observamos nos agentes morais, ainda que os primeiros nunca possam ser
objecto de amor ou ódio e, consequentemente, não sejam susceptíveis de
mérito ou iniquidade. Uma árvore jovem que ultrapassa e destrói a sua
progenitora mantém para com ela as mesmas relações que Nero mantinha
com Agripina quando a assassinou, e, se a moralidade consistisse apenas em
relações, esta seguramente também seria criminosa. 18.
Parece evidente que os fins últimos das acções humanas nunca podem ser
justificados pela razão, mas que se recomendam inteiramente aos
sentimentos e afeições dos seres humanos sem qualquer dependência das
faculdades intelectuais. Perguntai a um homem por que faz ele exercício;
ele responderá «porque desejo preservar a saúde». Se depois
perguntardes por que deseja ele a saúde, ele responderá imediatamente «porque
a doença é dolorosa». Se levardes a investigação mais longe e pedis a
razão pela qual ele odeia a dor, é impossível que ele possa indicá-la
alguma vez. Este é um fim último e nunca remete para qualquer outro
objecto. 19.
Quando fizestes a segunda questão perguntando por que deseja ele a saúde,
talvez ele pudesse também ter respondido «porque esta é necessária
para o exercício da minha profissão». Se perguntardes então por que se
importa ele com isso, ele responderá «porque desejo ganhar dinheiro».
«Porquê?», perguntais agora. «Esse é o instrumento do prazer», diz
ele. E é absurdo pedir uma razão mais remota. É impossível que haja
uma progressão in infinitum, e que possa haver sempre uma razão
pela qual uma coisa é desejada. Alguma coisa tem de ser desejável por si
mesma, em virtude da sua harmonia ou acordo com o sentimento e afeição
humanos. 20.
Ora, como a virtude é um fim, como é desejável por si mesma, sem
gratificações ou recompensas, simplesmente pela satisfação imediata
que transmite, é forçoso que haja algum sentimento em que esta toque,
alguma sensação ou gosto interno ou aquilo que lhe quiserdes chamar, que
distingue o bem moral do mal moral e que aceita o primeiro mas rejeita o
segundo. 21.
As diferentes fronteiras e funções da razão e do gosto são
assim determinadas com facilidade. A primeira proporciona o conhecimento
da verdade e da falsidade; o segundo proporciona o sentimento da beleza e
da deformidade, do vício e da virtude. Uma descobre os objectos tal como
estes existem realmente na natureza, sem acrescentar nem retirar nada; o
outro é uma faculdade produtora que, dourando ou manchando todos os
objectos naturais com as cores emprestadas pelo sentimento interno,
provoca, de certa maneira, uma nova criação. A razão, sendo fria e
inerte, não constitui qualquer motivo para agir, e só dirige o impulso
do apetite ou inclinação revelando-nos os meios de alcançar a
felicidade ou de evitar a miséria; o gosto, como proporciona prazer ou
dor, e assim constitui felicidade ou miséria, torna-se um motivo para
agir e é a primeira fonte ou impulso do desejo e da volição. Partindo
de circunstâncias e relações conhecidas ou supostas, a primeira conduz
à descoberta do oculto ou desconhecido; depois de todas as circunstâncias
e relações estarem diante de nós, o segundo, partindo do todo, faz-nos
experimentar um novo sentimento de censura ou aprovação. O padrão da
primeira, fundado na natureza das coisas, é eterno e inflexível até
para a vontade do Ser Supremo; o padrão do segundo, nascido da estrutura
e constituição internas dos animais, em última análise resulta do Ser
Supremo, que conferiu a cada ser a sua natureza peculiar e organizou as
diversas classes e ordens da existência. |
![]() David Hume (1711-1776) O cepticismo de Hume quanto à razão prática continua a ser uma das principais referências nos debates filosóficos em curso sobre a motivação humana . |
|
Tradução: Pedro Galvão, 2003. |
|